José Antonio Da Silva 1987, Óleo Sobre Tela 30x40cm b8

Código: 3EZH6F9MH

José Antônio da Silva (Sales de Oliveira SP 1909 - São Paulo SP 1996)

José Antônio da Silva foi um artista brasileiro que atuou como pintor, desenhista, escritor, escultor e repentista. De origem humilde e com pouca formação escolar, desenvolveu sua obra de forma autodidata, tornando-se um dos principais nomes da arte popular brasileira.

Nascido no interior, mudou-se em 1931 para São José do Rio Preto, em São Paulo, onde iniciou sua trajetória artística. Em 1946, participou da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, quando suas obras chamaram a atenção de críticos como Lourival Gomes Machado, Paulo Mendes de Almeida e do filósofo João Cruz Costa.

Dois anos depois, realizou sua primeira exposição individual na Galeria Domus, em São Paulo. Nesse período, Pietro Maria Bardi, então diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, adquiriu obras do artista e as incorporou ao acervo do museu. Em 1949, o Museu de Arte Moderna de São Paulo publicou seu primeiro livro, Romance de Minha Vida.

Em 1951, durante a 1ª Bienal Internacional de São Paulo, José Antônio da Silva recebeu o prêmio aquisição do Museum of Modern Art, consolidando seu reconhecimento internacional.

Ao longo da carreira, expandiu sua atuação para além das artes visuais. Em 1966, fundou o Museu Municipal de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto e gravou dois LPs intitulados Registro do Folclore Mais Autêntico do Brasil, com composições próprias. No mesmo ano, recebeu uma Sala Especial na Bienal de Veneza.

Também publicou diversos livros, entre eles Maria Clara (1970), com prefácio de Antônio Candido, Alice (1972), Sou Pintor, Sou Poeta (1982) e Fazenda da Boa Esperança (1987).

Em 1973, mudou-se para a cidade de São Paulo. Já em 1980, foi criado o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva, em São José do Rio Preto, reunindo obras do artista e consolidando seu legado na arte brasileira.

Comentário Crítico

Autodidata de formação, José Antônio da Silva exerce várias atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, despertando o interesse de críticos de arte que participavam do evento. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras. A partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Expõe nas três primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo, e nessa época, sua obra revela a influência pela pincelada vibrante de Vicent van Gogh (1853-1890), em 1955, passa a realizar quadros baseado no pontilhismo, nos quais os pontos ou traços de cor proporcionam destaque a matéria, como em Espantalhos diante da Paisagem (1956).

Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados a vida no campo, como o algodoal, os cafezal e o boi no pasto, que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

Críticas

"Numa primeira fase, a pintura de José Antônio da Silva caracteriza-se pelo colorido sombrio, a atmosfera cinzenta, carregada de certa angústia. Já em 1948 e 1949, realizava exposições individuais na Galeria Domus (São Paulo). É a segunda fase de sua pintura, onde aparecem os tons rosados e azulados, enquanto que nas paisagens surgem as tonalidades avermelhadas, além de um elemento lírico. Por volta de 1955 inicia-se a terceira fase de sua pintura, considerada pontilhista. É um período marcado por acontecimentos dramáticos, como a recusa de seus trabalhos em uma das bienais de São Paulo. Ao contrário do pontilhismo europeu, o de Silva é um elemento construtivo que faz a matéria vibrar, e não a luz ou a atmosfera. A quarta e última fase de sua pintura, de formas simplificadas e concentradas, é marcada também pelos coloridos crus e violentos. No entanto, a reunião das quatro fases da pintura de José Antônio da Silva mostra, em todas elas, uma característica comum: o movimento. Suas telas se abrem em espaços amplos, aparecendo em primeiro plano a cena - teatro, dança, animais, cafezais e os intermináveis algodoais (...) Chama a atenção a espontaneidade do artista em abstrair os detalhes: fileiras de pontos brancos assemelham-se a floridos algodoais, e traços negros esparramados sobre um fundo cor de terra são autênticos troncos derrubados".
Pietro Maria Bardi
MUSEU de Arte de São Paulo. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1981.

Depoimentos

"Estão percorrendo todo Europa
Para todos apreciar
Mostrando as verdes peroba
E as praias linda do mar

As toras em cima do carro
O carreiro alegre trabalhando
O pasto molhado de orvalho
O carro triste cantando.

Mostrei o canavial
Mostrei o engenho de cana
Mostrei o cafezal
Mostrei as morenas bacana.

Lá foi o cateretê
O caboclo alegre sapateando
Para o mundo todo ver
O maior primitivo pintando.

Eu pinto a lavoura
Também pinto as pastaria
Pinto a empregada e a patroa
Pinto a Joana e a Maria.

Pinto carroça e carreta
Pinto carro e carretão
Pinto o pedreiro na picareta
Pinto o colono no enxadão.

(...)

Eu sou primitivo
Já nasci pintor
Quando mais eu vivo
Mais pinto com amor".
José Antônio da Silva
SILVA, José Antônio da. Sou pintor, sou poeta. São Paulo: Kosmos, 1982. p. 111.

"Leian com muita atençaõ esta aula do Silva que sou eu mesmo. nasci errado e estou certo. para ser um bom artista ou pintor tem que nascer sabendo. Eu não durmo com o olho de ninguém. tenho horror a velhice. não confio em ninguem. levanto cedo e deito cedo. amanhan é sempre outro dia. ja nasci analnafabeto e sou um enquelectual. a vida não é so vida tem algo mais. pratico jinastica e de manhan corro mais do que um cavallo. gosto muito do mar e nado muito. tomo banho de sol todos os dias. não bebo e nem fumo. eu mesmo sou o meu medico. quero viver e chegar aos 100 anos. tenho muita força de vontade. sempre ajii sozinho sem ajuda de ninguem. meu deuz é a natureza e o resto é embrulho. nois somos Encantado e o mundo é um encanto. toda mulher é Flor da espinho Carinho e amor. quem não ama, não vive. Eu como amo estou vivendo. pinto de manhan até as 11 horas. Repouzo 3 horas por dia. Frecuento a picina e adoro um rabo de saia. as mulheres são remedio para os homens. quem não ama não esta vivendo e sim vejetando. quem nunca amou na vida não morreu não é nada. não tenho comprecto de enferioridade. sou eu mesmo. me criei no rabo do boi no meio dos urubus. porisso é que todos os meus quadros tem urubus. so falo a verdade e o que sinto. não sou simpre e nem convencido. vivo e ajo a minha moda. isto que escrevi é pura Filozofia da vida e do mundo. Estamos no meio das grandezas e continuamos com os olhos vendados". (sic)
José Antônio da Silva, 4 de agosto de 1976

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